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DOENÇA DE CHAGAS

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Definição da doença: A doença de Chagas é uma infecção transmissível causada por uma parasita que circula no sangue e ataca o coração, bem como órgãos do aparelho digestivo (esôfago e intestino). Sua transmissão exige a participação de um vetor, o triatomíneo conhecido pelo nome de barbeiro, fincão, chupança entre outras dependendo da região. É uma doença do continente americano (sul dos Estados Unidos até a Argentina).

Agente etiológico: A doença de Chagas é causada por um protozoário da ordem Kinetoplastida da família Trypanosomatidae e gênero Trypanosoma. Foi descrito por Carlos Chagas em 1909 como Trypanosoma cruzi.

No homem e nos animais, vive no sangue periférico e nas fibras musculares,especialmente as cardíacas e digestivas: no inseto transmissor, vive no tubo digestivo.

Cadeia de transmissão natural: a ocorrência da doença de Chagas em certa região depende de três elementos: agente etiológico, vetor ou vetores adequados e indivíduos susceptíveis. Sem dúvida, no estudo epidemiológico da doença, é importante procurar as verdadeiras razões da sua existência. Primitivamente considerada uma enzootia, isto é, uma doença exclusivamente de animais e de triatomíneos silvestres, tornou-se uma zoonose típica, em consequência da grande suscetibilidade do homem e certos animais domésticos, como o cão e o gato. O parasitismo humano se instalou devido à proliferação de certas espécies de triatomíneos nos ecótopos artificiais, portanto o ciclo domiciliar e peridomiciliar da infecção assumiram extraordinária importância. Não esquecendo ainda de citar os vertebrados silvestres marsupiais e roedores (gambás, ratos etc.) que, devido às mudanças do meio ambiente, se aproximaram das moradias e se adaptaram aos ecótopos artificiais. Essa domiciliação de barbeiros e de vertebrados silvestres representa um exemplo típico de sinantropia.

Transmissores (vetores): São artrópodes da classe Insecta, ordem Hemiptera. família Reduviidae e subfamília Triatominae. Sugam sangue (hematofágos) em todas as fases de seu ciclo evolutivo. Vivem em média entre um a dois anos, com evolução de ovo, ninfa e adulto, com grande capacidade de reprodução e, dependendo da espécie, com intensa resistência ao jejum.

Os triatomíneos têm ampla distribuição geográfica no Novo Mundo, desde os Estados Unidos até o sul do Chile e Argentina, existindo espécies que são tipicamente silvestres; e das 118 espécies conhecidas, 105 são do Novo Mundo. Todas as espécies são vetoras em potencial para o Trypanosoma cruzi, mas  seis têm importância epidemiológica na América do Sul: Triatoma infestians, T. brasiliensis, T. dimidiata, T. sardida, P. megistus e Rhodnius prolixus. A espécie vetora mais importante, devido ao seu hábito quase que estritamente doméstico e também com a mais extensa área de distribuição, é o T. infestans, encontrado na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai.

 

Triatoma infestans

Geralmente, abrigam-se em locais muito próximos à fonte de alimento e podem ser encontrados na mata, escondidos em ninhos de pássaros, toca de animais, casca de tronco de árvore, montes de lenha e embaixo de pedras. Nas casas escondem-se nas frestas, buracos das paredes, nas camas, colchões e baús, além de serem encontrados em galinheiro, chiqueiro, paiol, curral e depósitos.

Ciclo evolutivo

Ovo: A fêmea copula uma só vez e transcorridos cerca de 20 a 30 dias começa a postura. Cada fêmea ovipõe cerca de 200 ovos. A eclosão dos ovos varia conforme a temperatura ambiente e a espécie, ocorrendo em média um período de 25 dias. Logo após a postura, os ovos são brancos, porém em contato com o ar vão amarelando e depois de  a 7 dias tornam-se róseos na medida em que se aproxima o momento da eclosão.

Ninfas: Dos ovos eclodidos, nascem as ninfas. Procuram alimento de 2 ou 3 dias depois de nascidos e após sua primeira refeição a ninfa sofrerá mudanças em seu corpo, com a perda de sua pele. O “barbeiro” passa ao todo por 5 mudas até atingir o estádio adulto.

Adultos: Um adulto vive alguns meses, podendo alcançar um ano ou mais. As fêmeas efetuam a primeira postura com cerca de 2 meses. Após a postura, tendem a migrar e formar novas colônias. O ciclo de vida dura em média 1 a 2 anos.

Modo de transmissão: O “barbeiro”, em qualquer estágio do seu ciclo de vida, ao picar uma pessoa ou animal com tripanossomo, suga juntamente com o sangue formas de T.cruzi, tornando-se um “barbeiro” infectado. Os tripanossomos se multiplicam no intestino  do “barbeiro”, sendo eliminados através de fezes.

A transmissão se dá pelas fezes e urina que o “barbeiro” deposita sobre a pele da pessoa, enquanto suga o sangue. Geralmente, a picada provoca coceira e o ato de coçar  facilita a penetração do tripanossomo pelo local da picada. O T.cruzi contido nas fezes e urina do “barbeiro” pode penetrar no organismo humano, também pela mucosa dos olhos, nariz e boca ou através de feridas ou cortes recentes existentes na pele. Podemos ter ainda, outros mecanismos de transmissão através de: transfusão de sangue, caso o doador seja portador da doença; transmissão congênita da mãe chagásica, para o filho via placenta; manipulação de caça (ingestão de carne contaminada) e acidentalmente em laboratórios.

Período de incubação: Oscila entre 4 e 10 dias, quando a transmissão são pelos triatomíneos, sendo geralmente assintomáticos. Nos casos de transmissão transfusional, pode alongar-se entre 20 ou mais dias.

Quadro clínico: Os sinais iniciais da doença se produzem no próprio local, onde se deu a contaminação pelas fezes do inseto. Estes sinais, surgem mais ou menos de 4 a 6 dias, após o contato do “barbeiro” com a suavítima.

Os sintomas variam de acordo com a fase da doença, que pode ser classificada em aguda e crônica:

Fase aguda: Febre, mas estar, fala de apetite, edemas localizados na pálpebra (sinal de Romanã) ou em outras partes do corpo (chagoma de inoculação), infartamento de gânglios, aumento do baço e do fígado e distúrbio cardíacos. Em crianças, o quadro pode se agravar e levar à morte. Frequentemente, nesta fase, não há qualquer manifestação clínica da doença, podendo passar despercebida.

Fase crônica: Nesta fase, muitos pacientes podem passar um longo período, ou mesmo toda a sua vida, sem apresentar nenhuma manifestação da doença, embora sejam portadores do T.cruzi. Em outros casos, a doença prossegue ativamente, passada a fase inicial, podendo comprometer muitos setores do organismo, salientando-se o coração e o aparelho digestivo.

Diagnóstico: O diagnóstico, compreende o exame clínico e laboratorial (pesquisa do parasito  no sangue), na fase aguda e exame clínico, sorológico, eletrocardiograma e raio-x, na fase crônica. Nos dois casos, deve-se levar em consideração a investigação epidemiológica.

Tratamento: As drogas hoje disponíveis são eficazes, apenas na fase inicial da enfermidade, daí a importância da descoberta precoce da doença.

Vacinação: Ainda, não se dispõe de vacina para uso imediato.

Medidas profiláticas: Baseiam-se principalmente em medidas de controle ao “barbeiro”, impedindo a sua proliferação nas moradias e em seus arredores. Além  de medidas específicas (inquéritos sorológicos, entomológicos e desinsetização), as atividades de educação em saúde, devem estar inseridas em todas as ações de controle, bem como, as medidas a serem tomadas pela população local, tais como:

  • melhorar habitação, através de reboco e tamponamento de rachaduras e frestas;
  • usar telas em portas e janelas;
  • impedir a permanência de animais, como cão, o gato, macaco e outros no interior da casa;
  • evitar monte de lenhas, telhas ou outros entulhos no interior a arredores da casa;
  • construir galinheiro, paiol, tulha, chiqueiro, depósito afastados das casas e mantê-los limpos;
  • retirar ninhos de pássaros dos beirais das casas;
  • manter limpeza periódica nas casas e seus arredores;
  • encaminhar insetos suspeitos de serem barbeiros para o serviço de saúde mais próximo.
  • difundir junto aos amigos, parentes, vizinhos, os conhecimentos básicos sobre a doença, vetor e sobre as medidas preventivas;
  • encaminhar os insetos suspeitos de serem “barbeiros”, para o serviço de saúde mais próximo.

 

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